Isenção do IR beneficia mais de 15 milhões de trabalhadores, diz estudo do Dieese
Nova regra vai injetar R$ 26,2 bilhões na economia. É uma conquista histórica do movimento sindical
que promove justiça social e chega ao bolso do trabalhador
Dados de um estudo elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre os impactos da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais e reduz a cobrança para rendas intermediárias comprovam o que a CUT tem dito ao longo de sua história sobre justiça tributária–quem ganha mais tem de pagar mais, quem ganha menos tem de pagar menos.
A nova regra foi sancionada em novembro de 2025 pelo presidente Lula.
O estudo
A nota técnica do DIEESE mostra que a Lei nº 15.270 deve retirar ou reduzir o imposto de aproximadamente 15 milhões de trabalhadores e trabalhadoras. Cerca de 10 milhões de pessoas deixam de pagar o Imposto de Renda e outras cinco milhões passam a recolher menos. Entre os beneficiados estão 8,9 milhões de homens e 6,2 milhões de mulheres.
O recorte por cor e raça evidencia desigualdades estruturais do mercado de trabalho. Entre os celetistas, 92% das mulheres negras e 88% dos homens negros passam a ficar totalmente isentos do imposto. Entre homens não negros, o percentual é de 77%.
Na prática, a medida alcança quase integralmente setores de menor remuneração. No serviço doméstico, 97% das trabalhadoras e trabalhadores ficam isentos. Nos ramos de alojamento e alimentação, o índice chega a 96%.
No comércio, cerca de 91% dos empregados deixam de pagar o imposto, representando aproximadamente 8,5 milhões de comerciários. Mesmo na indústria de transformação, setor com salários médios mais elevados, 80% dos trabalhadores são beneficiados.
Paga mais quem ganha mais
Contribuintes com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil passam a pagar alíquotas progressivas, que chegam a 10% para quem recebe acima de R$ 1,2 milhão por ano. Cerca de 140 mil pessoas estão nesse grupo.
Antes da reforma, o sistema brasileiro era regressivo no topo da renda. Pessoas muito ricas pagavam, proporcionalmente, menos imposto do que trabalhadores de renda intermediária. A nova lei busca alterar essa lógica.
O efeito na economia
O impacto econômico também é relevante. O DIEESE estima que cerca de R$ 26,2 bilhões adicionais por ano passem a circular na economia, sendo R$ 20,9 bilhões entre celetistas e R$ 5,2 bilhões entre servidores estatutários.
Esse aumento da renda disponível tende a fortalecer o consumo das famílias e dinamizar o mercado interno.
Com informações da CBM/CUT