O empobrecimento do Brasil
Na média, 70% da população vive com um salário mínimo ou menos.
O desemprego é a maior preocupação do brasileiro. O dado é da ultima edição da pesquisa Exame/Ideia, de maio deste ano. Um quarto dos brasileiros dizem que o desemprego é o maior problema do Brasil. Parece contraditório se a gente olhar para os dados do desemprego medido pelo IBGE. Nos últimos três meses, o numero de desempregados que há um ano era de 15% caiu para 11%. Dá para concluir então que o medo maior é da crise que se comprova pelos dados do mesmo IBGE que mostram que o rendimento médio da população em 2021 foi o menor desde 2012, início da série histórica, há uma década
No último trimestre medido pela Pnad, do IBGE, a taxa de desemprego — após atingir seu auge na pandemia — baixou para 10,5%, o menor nível desde 2016. Os trabalhadores estão ganhando pouco mais de R$ 2.550 no trimestre até abril, também abaixo do que era em 2012.

Um dos motivos é que parte da recuperação no número de vagas veio do mercado informal. De dez trabalhadores brasileiros, quatro são informais e vivem com renda pouco estável e sem reajustes anuais que acompanhem a inflação, levando a rendimentos mais baixos na média.
O IBGE mostra que, no grupo que está entre os 5% a 10% dos brasileiros com menor renda, os ganhos caíram mais de 30% no ano passado. Entre o 1% com a maior renda, a renda caiu menos, cerca de 6%.
Em suma, a média do 1% dos brasileiros mais ricos ganhou em 2021 quase 40 vezes a média dos 50% mais pobres. Essa metade mais pobre recebeu, em média, R$ 415 por mês, ante R$ 15,9 mil na média do 1% mais rico.
Em carta de conjuntura no primeiro trimestre, o Ipea também chamou atenção para o fato de que, dentre os brasileiros que ainda estão desempregados, um terço procurava trabalho há dois anos no fim de 2021. Esse cenário ajuda a explicar com mais clareza dados tristes como os do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar, também divulgados nesta semana, que mostram que 33 milhões de pessoas no país passaram fome recentemente. É algo como 15 em cada 100 brasileiros cuja preocupação com questões básicas de sobrevivência tem sido alta.
Está difícil conseguir um emprego para parte significativa da população e, quem consegue, corre um risco alto de acabar em vagas piores e com menores salários.