Sete de Setembro: independência ou morte????
Os livros de História contam que foi num dia como o de hoje, há 200 anos, que D. Pedro I, do alto do seu cavalo, empunhou a espada na beira do Riacho Ipiranga em São Paulo e disse a frase que tiraria o Brasil das amarras portuguesas: Independência ou Morte!
A imagem de Dom Pedro I retratada nas grandes pinturas é falsa
Muita coisa foi enfeitada nesta cena que está retratada em pinturas. “A imagem de Dom Pedro I retratada nas grandes pinturas é falsa. Ele não estaria cercado de homens limpos, vestidos em trajes de gala, nem estaria montado em um cavalo quando deu o grito da Independência”, diz a historiadora Maria Aparecida de Aquino, da USP (Universidade de São Paulo).
Mas não é aqui que estão as contradições entre a História oficial e o que realmente estava acontecendo. O historiador Rainer Sousa garante que o Grito do Ipiranga não seria ( e não foi) suficiente para libertar o Brasil da condição de colônia de Portugal. Primeiro D. Pedro I ele teve que enfrentar a resistência de militares de diversas províncias que eram contra a independência e se mantinham fiéis a Portugal. Para isso, chegou a contratar mercenários ingleses para acabar com os conflitos. E a Inglaterra não aparece só neste momento.
A independência demorou anos para ser concretizada e custou muito caro ao Brasil.
Apesar do grito do Ipiranga ter sido dado em 1822, foi só três anos mais tarde que Portugal reconheceu oficialmente a independência. O tratado de Paz e Aliança estabeleceu uma multa de 2 milhões de libras esterlinas que deveriam ser pagas pelo Brasil a Portugal. Depois de 300 anos de exploração de toda a matéria prima possível, Portugal ainda queria ser indenizado por perder a sua colônia. Acontece que, sem dinheiro para pagar Portugal, o Brasil recorreu a um empréstimo nos bancos da Inglaterra. Começava aí, a dívida externa brasileira.
Os países demoraram a reconhecer a independência.
Nos três anos entre o grito e o reconhecimento da independência por parte de Portugal, a vida do recém-nascido Brasil não foi tão fácil. Em 1824 os Estados Unidos reconheceram o novo país, mas ainda faltava o reconhecimento de Portugal. Mais uma vez, a Inglaterra foi intermediária para, afinal, haver o acordo em 1825.
A escravização de pessoas no Brasil, sob o comando da monarquia portuguesa ou seus descendentes durou 388 anos.
Esse resumo do que foram os fatos relacionados à independência nos leva a pensar que os interesses externos e dos ricos do Brasil influenciam a vida dos brasileiros desde a formação do estado. Primeiro, porque o Brasil mesmo independente continuava sendo uma monarquia. D. Pedro I passou a ser o rei do Brasil. Segundo, que os interesses do Brasil rural mantiveram a escravidão por pelo menos mais 66 anos depois da independência. Isso fez com que o Brasil fosse um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão.
Não há nação sem inclusão social.
Talvez isso explique porque, depois de mais de 130 anos de república, ainda exista tanta desigualdade social que atinge principalmente a população negra. Por isso, neste mês da independência temos que lembrar que não há nação sem inclusão social, sem respeito a todos e sem liberdade. Por isso a pergunta: independência ou morte? Qual é a vida que decorreu desta independência, se 200 anos depois ainda lutamos por vida com dignidade?
E toda essa luta se dá no dia a dia com a defesa da importância de cada um dos trabalhadores na construção do Brasil. A história pode até nos apontar heróis, mas não existe nação sem o trabalho. A construção de absolutamente tudo passa pelas mãos dos trabalhadores.