Ministério da Saúde vai destinar R$ 151 milhões para ações de vacinação.
Pasta almeja estimular o microplanejamento de ações, como a vacinação nas escolas, para aumentar o índice de cobertura vacinal.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, o percentual de imunização contra a doença causadora da paralisia infantil foi de 72% em 2022, quando a meta do Programa Nacional de Imunizações (PNI) é vacinar entre 90% e 95% das crianças menores de 5 anos de idade.
É fato que o Brasil já foi exemplo em vacinação no mundo, mas também é fato que muitos pais deixaram de vacinar os filhos nos últimos anos.
Para a pediatra Ana Escobar, consultora do programa “Bem Estar”, muitos pais mais jovens ficaram muito longe da realidade de ter uma criança com poliomelite ou sarampo, por exemplo. “Não conhecem e nem nunca viram crianças com estas doenças. Por isso, não há um estímulo vigoroso para que compareçam aos postos de saúde com a frequência necessária para vacinar seus filhos. Há pouca informação na mídia sobre a gravidade destas doenças, que de fato diminuíram sensivelmente sua incidência”, analisa.
Para enfrentar isso, a Ministra da Saúde Nísia Trindade anunciou, durante o 37º Congresso Nacional das Secretarias Municipais de Saúde, em Goiânia, a liberação de R$ 151 milhões a Estados e municípios para o planejamento de ações para ampliar a vacinação. A medida foi publicada no Diário Oficial da União na terça-feira (18).
A transferência dos recursos será feita em duas etapas: 60% do valor total será disponibilizado para o microplanejamento de ações, como a realização de diagnóstico e ações locais para ampliar a vacinação na primeira etapa. Em seguida, o restante da verba será liberada após o fechamento as ações de microplanejamento.
“No microplanejamento, o Ministério da Saúde trabalha com Estados e municípios para melhorar o planejamento das ações de vacinação. Equipes da Pasta vão aos Estados participar das ações deste método, como a análise da situação dos dados (características geográficas, socioeconômicas e demográficas locais), definição de estratégias de vacinação (intra e extra muro), seguimento e monitoramento das ações e avaliação de todo o processo da vacinação para o alcance das metas”, informa a nota do ministério.
Entre as estratégias que podem ser adotadas pelos municípios e Estados estão:
- a vacinação nas escolas,
- a busca ativa de não vacinados,
- a vacinação em qualquer contato com serviço de saúde,
- a vacinação extramuros,
- a checagem da caderneta de vacinação e
- a intensificação da vacinação em áreas indígenas.
Riscos
Uma das prioridades da Pasta é aumentar a cobertura vacinal da população, especialmente a da imunização contra a poliomielite, doença que foi notificada em março deste ano no Peru, em região de fronteira.
“O ‘medo iminente’ de adoecer e morrer é que faz as pessoas correrem. O ‘perigo remoto e longínquo’ destas doenças, aliado à falta de informação sobre as mesmas, não faz ninguém correr. Poucos jovens de hoje sabem o que é difteria, o que causa e por que se morre com esta doença, por exemplo”, diz a pediatra Ana Escobar
Com informações da CGN e G1