Cesta básica cai em 26 das 27 capitais do país e traz alívio ao bolso do trabalhador
A cesta básica ficou mais barata em 26 das 27 capitais brasileiras em julho, reduzindo a pressão sobre o orçamento dos trabalhadores. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O levantamento acompanha os preços de alimentos essenciais à mesa dos brasileiros, como arroz, feijão, pão francês, carne, leite, tomate, batata, café e açúcar.
A queda de julho trouxe uma melhora imediata para as famílias. O trabalhador precisou dedicar, em média, 100 horas e 24 minutos de trabalho para comprar a cesta. Em junho, eram 105 horas e 51 minutos.
Depois do desconto da contribuição previdenciária, a alimentação básica consumiu 49,34% do salário mínimo líquido. No mês anterior, esse percentual havia sido de 52,02%.
Salário mínimo necessário chega a R$ 7.687
A diferença entre o custo dos alimentos e a renda disponível também aparece no cálculo do salário mínimo necessário feito pelo DIEESE.
Em julho, o valor estimado para uma família de quatro pessoas foi de R$ 7.687,01. O montante corresponde a 4,74 vezes o salário mínimo de R$ 1.621,00.
O cálculo considera, além da alimentação, despesas previstas na Constituição, como moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e Previdência Social.
O indicador ajuda a dimensionar o desafio enfrentado por quem vive do trabalho e também fornece uma referência para sindicatos nas negociações salariais. A evolução da cesta permite acompanhar quanto a renda precisa avançar para preservar o poder de compra diante do custo de vida.
do DIEESE.
Clima coloca produção de alimentos sob pressão
A relação entre clima e preço dos alimentos deve ganhar cada vez mais atenção. Calor intenso, chuvas fortes e outros eventos extremos podem afetar a produção, reduzir a oferta e pressionar os preços pagos pelos consumidores.
O problema não termina na propriedade rural. Quando a produção diminui, os efeitos podem chegar ao supermercado e pesar diretamente no orçamento das famílias.
Poder de compra continua no centro do debate
A queda da cesta básica em julho é uma notícia positiva para os trabalhadores. Mas o resultado precisa ser visto dentro de um cenário mais amplo: todas as capitais acumularam alta nos primeiros sete meses do ano.
Para quem recebe salário mínimo, a diferença entre uma redução pontual e uma tendência sustentável de preços é decisiva. O orçamento familiar não depende apenas do preço de um produto em determinado mês, mas da capacidade de a renda acompanhar o custo de vida ao longo do tempo.
É nesse ponto que a pesquisa do DIEESE ganha importância para o movimento sindical. Ao medir mensalmente o custo dos alimentos e o tempo de trabalho necessário para comprá-los, o levantamento oferece dados para discutir salários, poder de compra e condições de vida.
A queda de julho trouxe algum espaço para o orçamento das famílias. O desafio, agora, é transformar esse alívio pontual em uma trajetória de maior estabilidade, com renda capaz de acompanhar o custo de vida e políticas públicas voltadas à segurança alimentar e à proteção do consumidor.
Veja a pesquisa completa. Clique aqui.
Fonte: CUT Nacional