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Brasil tem 1,8 milhão de acidentes de trabalho em 3 anos. CNM/CUT cobra mais prevenção

O Brasil registrou 1.843.604 acidentes de trabalho entre janeiro de 2023 e maio de 2026. Somente nos cinco primeiros meses deste ano, foram 222.139 ocorrências, segundo levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt).

Diante desse cenário, a Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) cobra medidas efetivas de prevenção, o fortalecimento da fiscalização e a proteção da saúde e da vida de quem trabalha. Para a entidade, acidentes e adoecimentos não podem ser tratados como parte inevitável da atividade profissional.

Os números foram calculados pela Anamt a partir do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. A base reúne notificações feitas pelos serviços de saúde e permite dimensionar os impactos dos acidentes sobre os trabalhadores e o sistema público.

A dimensão do problema também aparece nos dados da Previdência Social. Em 2024, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou 834.048 acidentes de trabalho, aumento de 10,56% em relação a 2023, quando foram contabilizadas 754.382 ocorrências.

Para o secretário de Saúde do Trabalhador da CNM/CUT, Francisco Jonaci de Almeida, os números revelam uma realidade que não pode ser naturalizada e reforçam a urgência de ampliar as ações de prevenção e proteção nos locais de trabalho.

“Esses números não podem ser tratados apenas como estatísticas. Por trás de cada acidente, adoecimento e morte há um trabalhador ou uma trabalhadora, uma família e uma história que sofre as consequências”, afirmou Jonaci.

Acidentes em alta

Entre os 834.048 acidentes registrados em 2024, 744.477 tiveram Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Outros 89.571 casos foram reconhecidos sem a emissão do documento, usado para comunicar acidentes e doenças relacionados ao trabalho.

Dos acidentes com CAT, 544.495 foram classificados como típicos, ocorridos durante a atividade profissional. Outros 181.335 foram acidentes de trajeto e 18.647 estavam relacionados a doenças do trabalho.

Os acidentes típicos representaram 73,14% dos casos com CAT registrada. Os acidentes de trajeto responderam por 24,36%, enquanto as doenças relacionadas ao trabalho corresponderam a 2,50%, segundo o Ministério da Previdência Social.

A faixa dos 20 aos 29 anos concentrou a maior participação nos acidentes típicos e de trajeto registrados em 2024. Entre as doenças do trabalho, a maior incidência ocorreu entre trabalhadores de 35 a 44 anos.

Os dados mais recentes do Ministério do Trabalho e Emprego reforçam a gravidade do cenário. Em 2025, foram registradas 806.011 Comunicações de Acidente de Trabalho e 3.644 mortes. O total de óbitos foi o maior da série analisada pelo órgão, iniciada em 2016.

Milhares de mortes

Entre 2016 e 2025, o país acumulou 6,4 milhões de acidentes registrados por CAT e 27.486 mortes relacionadas ao trabalho. No mesmo período, os acidentes provocaram mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos, segundo estudo de Auditores-Fiscais do Trabalho.

“Os acidentes e óbitos retomaram crescimento e atingiram patamares elevados em 2024 e 2025”, aponta o estudo do Ministério do Trabalho e Emprego, ao analisar a evolução dos registros após a queda observada durante a pandemia de Covid-19.

A análise também identificou diferenças entre as atividades econômicas. O transporte rodoviário de cargas liderou o número absoluto de mortes entre 2016 e 2025, com 2.601 óbitos. Já as obras de montagem industrial apresentaram a maior taxa de incidência: 80.026 CATs para cada 100 mil trabalhadores no período.

“Para a CNM/CUT, os números reforçam a necessidade de enfrentar os riscos nos locais de trabalho e cobrar das empresas o cumprimento de medidas de segurança. A Confederação também destaca o papel da fiscalização e da organização sindical na identificação de situações que ameaçam a saúde dos trabalhadores”, explicou Jonaci.

Com informações da  CNM/CUT

Foto: CNM/CUT